19 de set de 2012

The Piggle e Winnicott

The Piggle - Relato do Tratamento Psicanalítico de uma menina, de autoria de D. W. Winnicott é uma viagem fantástica ao universo de uma criança, universo esse desconhecido por muitas pessoas.  Publicado pela Imago Editora, após o falecimento do autor, descreve a evolução do tratamento e a interpretação do que está acontecendo.
Segundo os pais, que procuraram o psicanalista, Piggle, era uma criança que teve um desenvolvimento satisfatório, até a chegada da irmã, quando tinha vinte e um meses. Desde então, começou a ter insônia e fantasias.
Piggle foi tratada por Winnicott durante três anos, um processo que o psicanalista chamou "de acordo com a demanda", pois a criança morava muito longe. Mas durante todo o processo os pais sempre 
informaram ao psicanalista como estava a evolução da criança e ela própria enviava recados e desenhos para ele.
O livro é um relato vivo da relação de duas pessoas. Mostra a transferência de forma clara e a evolução a cada sessão da pequena paciente.
Uma publicação para aqueles que estão envolvidos profissionalmente com crianças ou para aqueles
que querem acompanhar Winnicott atuando. Realmente um documento clínico fascinante.

4 de abr de 2012

FLOR DA NEVE E O LEQUE SECRETO

Encantador!!!  Talvez seja a palavra para traduzir o livro de autoria de Lisa See, que estará em breve nos cinemas. A sua escrita é deliciosa e eu fui transportada para o século XIX, na China, quando as mulheres tinham que se submeter à bandagem dos pés, para reduzir-lhes o tamanho. Esse processo era feito por volta dos seis anos e durava cerca de dois, período em que elas ficavam reclusas. O valor da mulher era determinado pelo tamanho dos pés e oferecido aos futuros sogros como uma prova de disciplina.
O livro relata com uma beleza ímpar o relacionamento de Lírio e Flor da Neve, que são chamadas "velhas iguais", ou seja,  "laotong", uma aliança tão importante quanto um bom casamento. E em suas trezentas e trinta e cinco páginas, os acontecimentos vão se desenrolando, mostrando as circunstâncias da vida de cada uma. Elas se utilizam de uma linguagem secreta utilizada apenas pelas mulheres, o  "nu shu", e os seus caracteres vão sendo transcritos em um leque, um verdadeiro retrato da vida de Lírio e Flor da Neve, suas emoções, medos, pactos,  angústias e felicidade. Enfim, uma publicação para quem gosta de detalhes históricos, emoções, mas sobretudo companheirismo, e nesse caso, entre duas mulheres em um relacionamento que chega a ser mais forte do que o casamento

5 de mar de 2012

FAZENDO POSE

Sabe aquele livro que você não consegue parar de ler pois é delicioso,  mas ao mesmo tempo precisa parar porque não quer que termine? É "Fazendo pose", de Claire Dederer, recomendado pela autora de "Comer, rezar, amar", Elizabeth Gilbert que o qualificou como "um livro divertido, inteligente, sensato, verdadeiro e inspirador". E ela tem toda a razão, é uma história encantadora de como a ioga transformou a vida de uma mulher em crise.
Editado pela Sextante, "Fazendo pose" já agrada pela capa, com letras coloridas, alegres, um verdadeiro convite à leitura.
Eu, que não entendia nada das posições de ioga acabei fascinada pelas associações feitas pela autora, explicando cada posição e fazendo um paralelo com um momento de sua vida, ou mesmo o que estar em uma posição provocava em seu interior.
E o livro, em suas trezentas e trinta e cinco páginas vai desvendando a postura do camelo, da águia, lótus, inversão sobre a cabeça, montanha, cadáver e o que remetia cada uma delas em um momento particular de sua vida.
Nota-se claramente no transcorrer das páginas o crescimento que vai se delineando em sua personalidade, bem como o surgimento de coisas encobertas que tanto a sufocavam.
Enfim, uma leitura para se deliciar, mas sobretudo aprender que é enfrentando as nossas sombras, os nossos fantasmas internos que conseguiremos descobrir um universo fantástico e transformador.
Como na postura da inversão sobre a cabeça, através da qual ela conseguiu ver a vida de um novo ângulo, ou mesmo a postura do camelo, que obrigou-a a abrir o peito e ali descobriu um medo que estava bem escondido.
Um livro para ser lido e relido por todos aqueles que buscam se conhecer um pouco mais.

29 de nov de 2011

A CENSURA (RESISTÊNCIA) SEGUNDO KEPPE

Norberto Keppe, na segunda parte de seu livro "A Origem das Enfermidades", aborda a censura. 
Segundo ele, o ser humano censura para não ter consciência da inveja.Como solução, a psicoterapia,  é o processo necessário para vencer as resistências em ver os maus sentimentos.
Só a pessoa que está no bem é que conscientiza o mal (privação do bem). O indivíduo consciente é o afetivo.
O indivíduo rancoroso, o agressivo – inconsciente. Gostar é estabelecer contato com o mundo (real). Não gostar é permanecer apegado ao próprio egoísmo, aos delírios.
Keppe ressalta que a  principal característica da doença é a ausência de consciência.Inconsciência é enfermidade.
No livro, Keppe destaca que quando o cliente está explicando é porque está censurando e a doença do ser humano está na resistência que tem em ver seus problemas.A luta inglória da humanidade é contra a consciência dos erros, o que Freud chamou de resistência.
Para ele, o indivíduo insatisfeito deseja que todas as suas vontades sejam satisfeitas, por mais infantis que sejam. A vida adulta se consegue pela conscientização dos erros. Para se conhecer, o homem tem de conscientizar seus erros. Como tem enorme resistência em vê-los, breca todo o seu saber.
O que a Ciência denominou de sintoma, significa, segundo Keppe,  um tipo de percepção, clamando pela atenção do indivíduo sobre o que está acontecendo em sua vida.Medicamentos, internações, escondem o que a sintomatologia está mostrando, e a consciência é eliminada.Quanto menos problemas vê, mais neurótico o indivíduo é. Para viver na realidade o indivíduo precisa de uma boa dose de humildade.Na arrogância existe um elevado nível de fantasias fora da existência.
A rejeição em conscientizar os próprios problemas significa uma atitude de causar danos a si mesmo e à sociedade.Não existe uma instância inconsciente, o que existe realmente é a censura.
O grande problema do ser humano é acreditar que ele está isento do que não percebe. O ser humano tem a idéia de que não percebendo um fato, não é responsável  por ele, ou melhor, que não está participando daquilo.O invejoso valoriza os medíocres e desvaloriza os indivíduos de valor. O indivíduo muito invejoso não quer trabalhar, porque é nesse momento que demonstra toda a sua incapacidade.
Psicoterapizar é trabalhar com a malícia do homem que aprendeu a esconder o que pensa de errôneo.
Em suma: o que o ser humano sente, pensa e faz, ele tem idéia. O grande esforço que o homem realiza é no sentido de ignorar o que sabe. 
A pessoa que não faz o bem que deve, cria enormes sentimentos de culpa (que nem sempre percebe), mas sofre as conseqüências.
O tratamento analítico não é para eliminar os problemas, mas sim conscientizá-los.
O maior problema do ser humano não é ter problemas, mas não querer vê-los.
O indivíduo muito patológico entra em luta com a sua visão, fazendo tudo o que pode para cegá-la.
Consciência é ver para viver; alienação é evitar ver, para evitar a vida.
Para Keppe, existem dois comportamentos fundamentais, o neurótico, quando a pessoa permanece aterrorizada em ver qualquer problema, chegando a se imobilizar quase completamente e os interessados pelo próprio desenvolvimento e progresso, que não se conformam em serem brecados pelos seus erros,  procurando entendê-los e superá-los.
A sanidade mostra que uma pessoa é sã. No sentido etimológico: sanar os erros, problemas, etc.
São dois os níveis de existência: o sensorial, ligado aos sentidos e o psicológico, oriundo das emoções e idéias.Havendo o predomínio do primeiro, teremos o indivíduo ligado aos prazeres orais (comida, bebida, conversação), aos prazeres anais (dinheiro, poder social), ou aos genitais (narcisismo, sensualismo).
Porém, o fator psíquico é fundamental. Se houver predomínio dos sentimentos e pensamentos ruins, encontraremos as pessoas dominadas pelos sentidos, mas se houver domínio das emoções e idéias boas, teremos um ser humano normal e entusiasmado com o bem.
Ser é a sanidade, e a recusa ao ser, a doença, ressalta Keppe.
A doença é causada por uma enorme luta em não querer lidar com os problemas que o próprio homem arrumou.
De maneira geral o ser humano permanece a vida toda esperando receber um bem que venha de fora, mas que já existe em sua própria existência.
Parece que o maior problema atual da humanidade é a falta de consciência do bem que recebeu. Como o ser humano não merece os bens que recebeu, também não lhe dá o devido valor.
No setor psicanalítico, se o cliente assume atitude agressiva contra os outros, ou depressiva contra si mesmo, seu interesse não está em ver o que faz de errôneo, mas como favorecer a si próprio na vida, e evitar maiores transtornos.

23 de nov de 2011

INVEJA E SAÚDE NA OBRA DE NORBERTO KEPPE


Norberto Keppe, autor da Trilogia Analítica, psicanalista de renome, fala em seu livro "A origem das enfermidades", sobre a inveja. Segundo ele, para aceitar o bem, o indivíduo tem que aceitar ver o mal que comete.O indivíduo rejeita o bem e não o mal que recebe porque não quer ter gratidão ao que existe de bom e devido a sua enorme inveja, pois não admite reconhecer que existam os bens que o beneficiam.Vê o bem para o próximo como se fosse mal para si mesmo, e o mal do semelhante como um bem para si próprio.
A conseqüência mais imediata da inveja é a censura.A conduta de cometer erros e praticar estrepolias infantis é quando não houve o amadurecimento. Deixar de fazer desordem é o sacrifício que a pessoa faz, porque todo o seu prazer é retirado.
Segundo Keppe, quanto mais inveja, menos sanidade e vice-versa.
Acostumamos a pensar que desejamos o bem, no entanto agimos basicamente pelas emoções, que se fundamentam no sentimento da inveja, que é invertido.O invejoso é invertido porque rejeita o sim, o bem e a felicidade.
Para haver saúde o indivíduo tem que ter gratidão.
A inveja é dirigida às pessoas e coisas que são mais indispensáveis – ao mesmo tempo que necessita daquela pessoa, nega e se opõe, impedindo de usufruir aquilo que mais precisa.
A infelicidade que o neurótico sente, o desinteresse pela vida, o desânimo e a crítica fazem parte de sua colossal inveja.
Os sete pecados capitais são a soberba, ira, avareza, preguiça, gula, inveja e luxúria , mas se a inveja for muito forte atacará tudo na vida, porque a inveja é o pai de todos os vícios e males.
Keppe destaca que o pior mal causado pela inveja é a ausência de qualquer felicidade na vida do invejoso.
É o desespero para ter dinheiro, a voracidade pela alimentação e libido, a recusa ao trabalho, fúria e arrogância diante do bem.
Ressalta que o paciente não aceita o bem por causa da inveja – aprecia filmes onde destroem tudo.
O invejoso vê tudo fora: quer encontrar a felicidade em viagens, regimes, exercícios, festas, homenagens, cultos. Acredita que os outros sempre querem prejudicá-lo, porém não quer ver que coloca nos outros o que faz contra a sua vida.
A inveja é o sentimento mais difícil de ser resolvido porque em grande parte é inato e o mais fácil porque depende da vontade de cada um, ressalta o autor.Mas o primeiro passo é ser conscientizado para poder ser dominado.
A inveja é o ato de não ver, ver a inveja do outro é mais fácil.
Quanto maior a inveja mais o ser humano se acredita perfeito.Inveja é sinônimo de inconsciência.
Pessoas menos capazes manifestam uma idéia de superioridade acima do comum. Todo o sucesso daquela pessoa depende de mim.
A inveja causa paralisação do ser humano – por ser um anti-sentimento – de oposição ao ser.
O indivíduo muito invejoso não atende a qualquer regra social ou mesmo natural. Pretende criar um universo segundo suas idéias invertidas.
O indivíduo infeliz é aquele que se coloca acima de tudo, desejando que a humanidade o sirva, enquanto o feliz se coloca em plano inferior, acreditando que recebe demais da existência.
Para ter êxito é preciso aceitar o sucesso das outras pessoas. O sucesso próprio depende totalmente da aceitação do sucesso alheio.

7 de jun de 2011

AUTO-SABOTAGEM

Por que repetimos atitudes que destroem nossas vidas, relacionamentos, e nos fazem sofrer? Esses questionamentos são muito bem elaborados no livro "O Ciclo da auto-sabotagem", de Stanley Rosner e Patricia Hermes, da Editora BestSeller. Rosner é psicólogo e Hermes, jornalista. Uma parceria que deu certo, pois o livro é bem escrito, apresenta fatos acontecidos no consultório, e em muitas vivências ali relatadas, descobrimos que o ser humano não é tão diferente assim um do outro. Ao ler o livro, constatei quantas situações já vivenciei que estão em suas páginas, quantos comportamentos e situações repetitivas eu já vivi. E é evidente que, quando reconhecemos esses comportamentos as soluções ficam mais próximas. E o Capítulo 8 do livro revela como reconhecer e solucionar as repetições de comportamentos de auto-sabotagem. Uma dica interessante, especialmente para aquelas situações que nos fazem sofrer, pois na vida, certamente temos muitos comportamentos repetitivos, exemplo, vamos a um restaurante e comemos o mesmo prato, ou sentamos na mesma mesa, mas que não nos incomodam, chegam até a dar um certo prazer. Mas o livro analisa repetições que são prejudiciais, tanto no trabalho, em casa, na relação com os filhos. Uma boa dica de leitura.

13 de abr de 2011

"Uma Criança Especial " um livro maravilhoso.

Para vcs. que gostam de ler como eu, creio que esse será um espaço para dividirmos experiências na área, como dicas de bons livros, opiniões, comentários e vivências do nosso dia. Amo ler, e para mim o livro em papel, apesar de todas as novidades na área da comunicação, ainda é fundamental. 
Eu começo com uma publicação maravilhosa que simplesmente 'devorei' no último final de semana. Um livro sobre autismo, chamado "Uma criança especial", de Adriana Rocha e Kristi Jorde. É uma verdadeira lição de vida. Relata a história verídica de uma criança autista, cuja mãe nunca desistiu de uma comunicação com a filha. Somente aos nove anos, através de um método facilitador, ela pode conhecer, juntamente com toda a família, o potencial de inteligência da Adri, bem como descobrir coisas básicas que as mães sempre sabem de seus filhos, como o prato preferido ou a cor predileta. Uma grande lição de amor e aprendizado em mais de 200 páginas, que valem a pena ser lidas.